terça-feira, 3 de junho de 2008

SATÉLITES DE DEUS

Não é dificil observar no centro da personalidade do individuo imaturo um vinculo de dependência psicológica, geralmente simbiótico. O objeto que recebe a projeção da divindade passa a ter a força de um Deus na sua psique. O individuo torna-se um satélite deste Deus. Teme-o, deseja-o, cultua-o e se submete a ele. ´lém de render-lhe sacrificios e rituais.Esse Deus pode ser o dinheiro, a própria fama, uma mulher idealizada, a lei, pode ser um parente divinizado, ou o próprio ego que se aloja no seu centro, isto é, no lugar do Self.
O fato é que o centro do individuo IMATURO é sempre representado por uma criatura ou coisa que o subjuga e domina. Assim como a criança diviniza (necessariamente) os pais no desenvolvimento de sua personalidade, o adulto IMATURO cria vinculos de profunda dependência com objetos EXTERNOS QUE CULTUA COMO DEUSES E A ELES FICA FIXADO, ás vezes por quase toda existência. È a criança interna ferida e negligenciada, que vive inconscientemente no adulto, que, juntamente com os mecanismos de defesa inconscientes, distancia o individuo do SENTIMENTO RELIGIOSO AUTÊNTICO.
São as chamadas fixações narcísicas. No seu aspecto criativo, a verdadeira religião, assim como a psicoterapia, promove a transcendência dos vinculos de dependência infantil que impedem a relação com o Self(Lei Moral).
A leitura simbólica do Novo Testamento conduz o individuo aá ruptura dos vinculos que os distanciam do seu Self e o mantém cativo á neurose quase sempre inconsciente. A religião pode ser uma grande via de encontro com o Self, na medida em que expõe a sombra ao ego e o convida a abraçar sua cruz(conflito) rumo ao Self.
È, portanto, o reconhecimento do centro divino e sua relação com ele a proposta saudável e rica. Conhecer a própria tradição espiritual é conhecer mais sobre si mesmo.Da mesma forma que se diferenciar de falsos deuses que servimos muitas vezes inconscientemente. O Self parece pedir reconhecimento e busca a diferenciação do sujeito de tudo nque é exterior a ele. Encontramos no Evangelho:
" O que ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e o que ama mais o filho ou filha mais do que a mim não é digno de mim. O que não tomar a sua cruz e não me seguir não é digno de mim. O que se prende á sua vida perde-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á" ( Mateus 37.39).

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