terça-feira, 17 de junho de 2008

O ASSASSINATO DE CRISTO

Quando Cristo começou sua missão, aos trinta anos, ele não perturbava nada e nem ninguém. Ele apenas andava, cheio de graça, por entre eles e eles gostavam de olhar suas esperanças nesse espelho. O assassinato começou a se desenvolver quando a esperança começou a provocar movimento. Cristo era móvel demais. Não tão móvel no sentido de Vida viva. Ao contrário, nesse ponto ás vezes tem-se a impressão, a partir do que nos conta o evangelho, de que ele era um tanto exigente, fixando-se um pouco demais em principios. Ele tinha que ser, é claro, e logo veremos por que a Vida viva desenvolve-- e por que tem que desenvolver-- no homem, principios rigidos e seriedade exagerada, se ela pretende se colocar contra a natureza imóvel do homem.
Mas Cristo, em toda sua ingenuidade, pretendia ação. Ele se levava tão a sério quanto um cervo o faz. "Eu sou a Vida, é claro! Que mais eu poderia ser?" Assim o ouvimos falar.
Cristo se recusava a ficar em casa com seus irmãos e irmãs e com sua mãe, embora os amasse ternamente. Preferia passear pelo campo, saudar o sol que se levantava no horizonte com seu clarão róseo. Gostava de ver pessoas aqui e ali, em diferentes lugares, se bem que nunca tenha deixado a Palestina.Nada nos permite supor que Cristo, no inicio de suas peregrinações, sentisse que era um salvador da humanidade.. Mas a história de sua vida e de tudo o que sabamos da atividade hunana em geral, nos mostra que a principio ele era diferente dos outros, e que ele se sentia diferente dos outros , no sentido de que não conseguia ficar parado. Não tinha a intenção de passar o resto da vida numa bancada de carpinteiro. Amava o povo, Sentia-se benevolente para com eles. Sua familia era um campo muito restrito para sua atividae transbordante e -- temos que assumir-- para a sua visão de vida.Sabemos que sua mãe o reprovava por não se restringir mais ao âmbito da familia. Não tinha muito boas relações com seus irmãos e irmãs. Mais tarde, quando se deixou seduzir pelo papel de lider messiânico, convidadva seus discipulos a deixarem seus irmãos e irmãs, seus pais e mães para o seguirem. Ele sabia que a vida familiar compulsória impede qualquer movimento que ultrapasse seus limites.
Isto também se compreende quando se leva em conta a contradição entre a Vida em marcha e a Vida imóvel. Se a Vida é verdadeiramente Vida, ela se lança ao desconhecido, mas não gosta de caminhar sozinha. Ela não tem necessidade de discipulos, de adeptos, de submissos, de admiradores, de aduladores. O que lhe é necessário,o que não lhe pode faltar, é o companheirismo, a camaradagem, a amizade, a familiaridade, a intimidade, oi encorajamento de uma alma compreensiva, a possilbilidade de se comunicar com alguém e de abrir o coração. Não há, em tudo isso, nada de sobrenatural e extraordinário. È simplesmente a expressão da vida autência, da natureza social dos homens. Ninguém gosta ou pode viver no isolamento, sem se aariscar á loucura.
Mas esse anseio profundo pelo companheirismo tende a tornar-se amargo, quer dizer, transformar-se em uma exigência incompativel com a Vida viva, se os amigos e os companheiros ficaram ligados a suas familias a suas mulheres, a seus filhos, a seu trabalho. Todas essas ligações têm o efeito de freio sobre eles.Elas os retêm no momento em que um grande salto é necessário. Todos os grandes lideres conheceram essa dificulade. Pedem a seus fiéis que abandonem tudo e os sigam, e só a eles. Foi assim, e será sempre assim, tanto na igreja como no Fascismo Vermelho. A mesma regra se aplica a todo capitão e sua tripulação. Ela se aplica a todo chefe militar, a todo chefe de equipe encarregado de um trabvalho que exija movimento e uma grande liberdade de ação.
A diferença entre o apelo de Cristo e as exigências dos outros acima mencionados reside em que estes dispôem de unidades constituidas e organizadas segundo um esquema rigido, implicando a renúncia a toda forma de imobilismo, enquanto que Cristo não tinha, no inicio, a intenção de fundar uma igreja ou um movimento politico. Ele quer apenas cercar-se de amihgos em suas peregrinações, e descobre que eles são insignificantes, incômodos, que eles freiam e impedem sua alegria de viver. Isto não teria muita importância se seus amigos não o tivessem cativado para ser um futuro Messias. Pouco a pouco,são eles, seus amigos, que determinam as regras que os lideres lhes impôem, e nunca o inverso, a principio. Não há nada em nosso mundo social, e nada pode haver, que não seja fundamentalmente e principalmente determinado pelo caráter e comportamento do povo. Não há exceção para esta regra, não importa para onde se olhe.
Para começãr, são os amigos de Cristo, agora seus admiradores, que o induzem a exigir que eles abandonem seus familiares e suas atividades profissionais. Não porque Cristo seja excepcional em seu comportamento, mas porque a Vida viva agirá sempre, em todas as épocas, não importa em que contexto social, se ela tiver o desejo de avançar resolutamente para o desconhecido sem isolar-se na solidão.
Desta nmaneira, a vida se transforma em dominação, regra, exigência, ordem, restrição, sacrificio, assim que ela enfrenta o imobilismo da multidão, da "cultura", da "civilização", das opiniôes estabelecidas na ciência, na tecnologia, na educação, na medicina. Se todas as pessoas se movessem, não haveria razão para tudo isso. Elas gostariam de fazer seus próprios movimentos. E seriam elas e não alguns lideres ou grupos que carregariam o fardo do progresso.
A grande maioria dos homens, em qualquer época e em qualquer fase da história, nunca saiu de sua cidade natal. Alguns não viajam porque são pobres. Mas a maioria fica no mesmo lugar porque mover-se lhes é penoso. Sua energia Vital só dá para alimentar a eles e a suas familias. Apenas alguns comerciantes e alguns boêmios viajam. Somente a partir da metade do século vinte é que as viagens se tornaram um produto de consumo de massa e as pessoas começaram a ir ao "estrangeiro". Mas a imensa maioria passa verões em Nova York, Chigago ou outras cidades como essas. NãO é certo falar de povo que viaja, se apenas uma minoria o faz, porque á a maioria que determina tudo que acontece. E mesmo que todo mundo viajasse, isto não modificaria em nada a estrutura fundamental da humanidade.
Não é porque viajar é salutar e proveitoso que se nviaja hoje em dia, mas sim poruqe "está na moda", porque o vizinho olharia de lado se você não tivesse visto os mesmos paises que eles. Também se viaja porque " na Europa pode-se comprar tanto com dólares". AINDA É IMOBILISMO.
Se Cristo vai á Europa, não é porque lá o dólar compra mais coisas do que nos Estados Unidos ou vice versa. Ele vai para conhecer os povos europeus. Visita os museus como todo mundo. Mas não os visita "por visitar", ou "porque se deve ver" este ou aquele quadro. Vai simplesmente para ver a pintura.E não é isso o que geralmente se tem em mente, da mesma forma como não se abraça um homem ou uma mulher pelo simples prazer do abraço, mas para fazer filhos. ESSA ATITUDE É ESTRANHA A CRISTO.

POR ISSO ELE SERÁ E TERÁ QUE SER, ASSASSINADO NO FINAL.

Um comentário:

flu disse...

Quando vc citou o curumim brincando, eu resolvi ler, pois tenho um profundo e até idiota adoraçao pelo o meu gugu, eu respiri, vivo, trabalho, tudo para absorver as atitudes e emoçoes dele, quando ve algo diferente ou ganha algo interessante, estas pequenas coisas, tao imensas pra gente,talvez seja uma forma de nos aproximarmos de Cristo, ou um egoísmo nosso em relaçao a nossas frustraçoes, enfim, o que será de nós quando eles voarem ?
Beijos
Guiba