A massa humana tem sido forçada a sentir-se alegre acerca de coisas pequenas, mas entristecer-se acerca de coisas grandes. Apesar disso(apresento o meu último dogma como uma provocação), não é natural para o homem ser assim. O homem se identifica mais consigo mesmo, é mais parecido com o homem quando a alegria é a coisa fundamental dentro dele e a dor é superficial. A melancolia deveria ser um inocente interlúdio, um estado de espirito delicado e fugaz; a pulsação permanente da alma deveria ser o louvor. O pessimismo é, na melhor das hipóteses um meio-feriado emocional; a alegria é a ruidosa labuta pela qual vivem todas as coisas.
No entanto, de acordo com a parente condição do homem na ótica do pagão ou do agnóstico, essa primeira necessidade da natureza humana nunca pode ser satisfeita.
A alegria deveria ser expansiva; mas, para o agnóstico, ela deve ser contraida, deve restringir-se a alguém bem sucedido neste mundo. A dor deveria ser uma concentração; mas, para o agnóstico, a desolação dela se espalha por uma eternidade inimaginável. Isso é o que chamo de nascer de cabeça para baixo. Pode-se na verdade dizer que o cético está de pernas para o ar, pois seus pés vão dançando virados para cima em vãos frenesis, enquanto o cérebro está no abismo.
Para o homem moderno, os céus estão realmente embaixo da terra. A expliucação é simples: ele está de ponta-cabeça, o que nconstitui um pedestal pouco resistente para apoiar-se.Mas quandoi ele houver novamente descoberto os próprios pés, saberá disso. O cristianismo satisfaz de repente e á perfeição o instinto ancestral do homem de estar virado para cima; e o satisfaz plenamente neste sentido: COM SEU CREDO A ALEGRIA SE TORNA ALGO GIGANTESCO E A TRISTEZA ALGO ESPECIAL E PEQUENO.
A abóboda acima de nós não é surda porque o universo é um idiota: SEU SILÊNCIO NÃO É O SILÊNCIO SEM PIEDADE DE UM MUNDO SEM FIM E SEM DESTINO. O silêncio que nos cerca é antes uma pequena e compassiva quietude como a súbita quietude no quarto de um enfermo. Talvez a tragédia nos seja permitida como uma espécie de comédia benigna:PORQUE A FRENÉTICA ENERGIA DAS COISAS DIVINAS NOS DERRUBARIA COMO UMA FARSA DE BÊBADOS. Podemos aceitar as próprias lágrimas mais facilmente do que poderiamos aceitar a tremenda leveza dos anjos. Assim ficamos sentados talvez num quarto estrelado e silencioso, ENQUANTO A RISADA DOS CÉUS É FORTE DEMAIS PARA OS NOSSOS OUVIDOS.
A alegria, que foi a pequena publicidade do pagão, é o gigantesco segredo do cristão.Torno a abrir o estranho livrinho do qual proveio no cristianismo; e novamente sinto-me assombrado por uma espécie de confirmação. A tremenda figura que enche os evangelhos ergue-se altaneira nesse respeito, como em todos os outros, acima de todos os pensadores que jamais se consideraram elevados.
A compaixão dele era natural, quase casual. Os estóicos, antigos e modernos, orgulhavam-se de ocultar as próprias lágrimaas. Ele nunca ocultou as suas; mostrou-as claramente no rosto aberto ante qualquer visão do dia-dia, como a visão distante de sua cidade natal. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Solenes super-homems e diplomatas imperiais orgulham-se de conter a própria ira. Ele nunca a conteve. Arremessou móveis pela escadaria frontal do Templo e perguntou aos homens como eles esperavam escapar da danação do inferno. No entanto, alguma coisa ele ocultou. Digo-o com reverência; havia naquela chocante personalidade um fio que deve ser chamado de timidez. Havia algo que ele encobria constantemente por meio de um abrupto silêncio ou um súbito isolamento. Havia uma certa coisa que era demasiado GRANDE PARA DEUS NOS MOSTRAR QUANDO ELE PISOU SOBRE ESTA NOSSA TERRA. ÁS VEZES IMAGINO QUE ERA SUA ALEGRIA.............
quinta-feira, 12 de junho de 2008
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