quinta-feira, 12 de junho de 2008

O IMPOSTOR QUE VIVE EM MIM

Quando confrontamos o egoismo e a estupidez, conhecemos o impostor e, assim, podemos aceitar nossa pobreza e debilidade; aí percebemos que, se não fôssemos assim, seriamos o próprio Deus. A arte da autocondescendencia nos leva a ser condescendentes com os outros---e é pré-requisito natural para entrar na presença de Deus em oração.
Odiar o impostor é, na verdade, odiar-se. O impostor e o "eu" constituem uma pessoa. Menosprezar o impostor abre espaço para hostilidade, que se manifesta numa irritabilidade generalizada--- irritação com aquilo que odiamos em nós mesmos e vemos nos outros. Odiar-se sempre gera algum tipo de comportamento autodestrutivo.
Aceitar a realidade de nosso pecado significa aceitar o "eu" autêntico. Judas não conseguiu encarar a própria sombra; Pedro conseguiu. Pedro reconheceu o impostor dentro de si; Judas enfureceu-se contra o impostor. " O suicidio não acontece num impulso repentino.È um ato ensaiado durante anos de um padrão de comportamento punitivo inconsciente.
Há anos Carl Jung escreveu:

A auto-aceitação é a essência do problema moral como um todo e o epitome de uma perspectiva integral para vida. Que dou comida aos pobres, que perdôo um insulto, que amo meu inimigo em nome de Cristo---todas essas, sem dúvida, são grandes virtudes. O que faço para o menor dos meus irmãos, o faço para Cristo. Mas, e se descubro que o menor entre todos eles, o mais pobre de todos os mendigos, o mais pervertido de todos os infratores, o próprio inimigo em pessoa ---TODOS ESTÃO DENTRO DE MIM, E QUE EU MESMO PRECISO DAS ESMOLAS DE MINHA BENEVOLÊNCIA;QUE EU MESMO SOU O INIMIGO QUE PRECISA SER AMADO? E aí? Via de regra, nesse caso, REVERTEMOS A ATITUDE CRISTÃ. Deixa de ser uma questão de amor ou longanimidade. Dizemos ao irmão dentro de nós:"POXA". Condenamos e nos enfurecemos contra nós mesmos. Escondemos isso do mundo; nos recusamos até mesmo a admitir que encontramos esse menor entre os MENORES DENTRO DE NÓS.

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