quinta-feira, 19 de junho de 2008
DISSERTANDO AINDA SOBRE MILAGRES
Nossa posição é muito semelhante á dos moluscos eruditos. Os grandes profetas e santos têm uma percepção positiva e concreta de Deus no mais alto grau, pois bastou tocar a borda de Seu ser para sentirem que Ele é a plenitude de vida, de poder e de alegria. Por essa razão(e não por outra), viram-se no dever de declarar que Ele transcende aquelas limitações a que chamamos "personalidade", "paixão", "mudança", "materialidade" e coisas semelhantes. A qualidade positiva que há nele que rejeita essas limitações é o único fundamento contra todas as negativas. Contudo, á medida que prosseguimos e tentamos construir uma religião intelectual ou "iluminista, nos apropriamos dessas negativas.(infinito, imaterial, inabalável, imutável etc.) e as usamos sem o controle de qualquer intuição positiva. A cada passo, precisamos nos desvencilhar da idéia de um Deus que possui algum atributo humano. A única e verdadeira razão para remover o atributo humano, porém, é abrir espaço para substitui-lo por um atributo divino positivo. Na linguagem do apóstolo Paulo, o propósito de nos despirmos não é fazer com que nossa idéia de Deus alcance a nudez, e sim que nossa nudez seja revestida. Infelizmente, não temos meios para nos revestir. Quando removemos algumas caracteristicas humanas insignificantes de nosso conceito de Deus, não temos, por nós mesmos(simples eruditos ou pesquisadores inteligentes), como preencher aquele atributo ofuscante e concreto da Divindade que deveria ser substituido. Consequentemente, em cada etapa do processo de refinamento, nossa idéia de Deus é reduzida, e imagens funestas tomam lugar(um mar infinito e silencioso, um céu vazio e além de todas as estrelas, uma abóbada de brancura radiante). Alcançamos finalmente o simples nada e prestamos culto á não-existência. A compreensão, entregue a si mesma, dificilmente deixará de seguir esse caminho. É por isso que a declaração cristã de que somente aquele que faz a vontade do Pai conhecerá a verdadeira doutrina está filosóficamente correta. A imaginação ajuda até certo ponto, mas na vida moral e(mais ainda) na devocional, tocamos algo concreto que, ao mesmo tempo, começará a corrigir o vazio crescente de nosso conceito de Deus. Um momento, mesmo que seja de pouco arrependimento ou duvidosa gratidão, nos afastará, pelo menos um pouco, do abismo da abstração. È a própria Razão que nos ensina a não confiar somente na razão quanto a esse assunto, porque ela sabe que não pode operar sem a matéria. Quando se fica claro que não podemos descobrir pela Razão se o gato está ou não no armário, a própria Razão sussurra: "Vá e olhe.Essa não é minha função, é uma tarefa para os sentidos". O mesmo acontece aqui. Os instrumentos para corrigirmos nosso conceito abstrato de Deus não podem ser fornecidos pela Razão. Ela será a primeira a lhe dizer: "PROVE E VEJA!", pois naturalmente, já lhes terá mostrado que sua idéia é absurda. Enquanto permanecermos com os Moluscos Eruditos, poderemos nos esquecer de que, se ninguém tivesse visto mais de Deus do que nós, não temos nem sequer razão para acreditar nele como um Ser imaterial, imutável, impassivel, e tudo mais. Mesmo esse conhecimento negativo, que nos parece tão iluminado, não passa de uma lembrança que restou do conhecimento positivo de homens melhores; NÃO PASSA DE MARCAS DEIXADAS NA AREIA POR UMA ONDA CELESTIAL AO SE RECOLHER.
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