quarta-feira, 6 de agosto de 2008

SEXO E TERNURA

Há uma cena arrepiante no romance "Notas do subterrâneo" de Dostoiévski, em que um homem do subterrâneo, um egoista perturbado, visita uma prostituta. Ele paga-lhe o dinheiro, ela desempenha seu papel, e os dois, então, ficam lá, deitados em silêncio. De repente, ele olha para o lado e vê dois olhos arregalados fitando-o. "O olhar naqueles olhos era frio, indiferente e mal-humorado, como se fosse absolutamente alheio. Fez com que me sentisse terrivelmente deprimido". Então, ocorreu-lhe que, por duas horas, não havia dito uma única palavra á criatura nua a seu lado nem pensara que isso fosse necessário.
Acontece uma conversa insólita. O homem do subterrâneo pergunta o nome da prostituta; "Liza". Pergunta sobre sua nacionalidade e seus pais. Fala sobre um funeral que havia observado naquela manhã. Faz perguntas sobre sua profissão, eles conversam sobre amor, sexo e vida conjugal.
Aos poucos, os dois, que tinham consumado O MAIS INTIMO ATO DE UNIÃO FÍSICA SEM DIZER UMA PALAVRA, torna-se humanos um para o outro. Um relacionamento cauteloso e manipulador, mas ainda assim um relacionamento, dá sinais de vida.

2 comentários:

flu disse...

O essencial é invisível aos olhos !

Revlu disse...

O texto sexo e ternura ajuda definitivamente na terefa da reflexão sobre o valor das pessoas. De fato, uma relação saudável se constroi pela doação, entrega e afirmação. Vivemos em um tempo em que as relações são superficiais e interesseiras. As pessoas usam e abusam dos outros até esgota-las. Quando as pessoas deixam de ser necessárias são descartadas, renegadas. Por esta razão, entendo que as pessoas não "são" o que podem dar, mas o que foram e o que deram. Mais ainda... As pessoas são necessárias, porque são criaturas do Deus Bondoso. Espero que a leitura deste texto conduza-nos ao relacionamento terno, onde a entrega, honestidade, coerência e verdadeira amizade sobrepõe a maldade, a falsidade, a malignidade, etc. Só a ternura faz do sexo,da vida, dos relacionamentos situações sublimes!
Como você mesmo diz, amigo, um grande abraço.