Temo muito mais as boas ações que me acomodam do que á más ações que me horrorizam.
A experiência humana é marcada pela alternância de estados despertos e de torpor.Construído-nos a partir dos acampamentos que fazemos e do levantar dos mesmos. Mas o que quer se frisar é a importância de se "horrorizar", que é um dos sinais de percepção dos lugares estreitos.Quem não se horroriza perde a capacidade de detectar a estreiteza. Nossa insensibilidade se beneficia daquilo que não rompe, das ditas "boas ações" que não ferem os códigos da moral animal.Cada vez que fazemos o esperado, reforçamos um padrão humano automático de torpor. Existe em nós uma tendência de querer agradar a nós, aos outros e á moral de nossa cultura.
Com isso vamos gradativamente nos perdendo de nós mesmos. E o despertar é a capacidade de perceber situações horriveis em nossas vidas, tanto no plano particular como no social cultural. Desse horror surge uma nova forma de ser, uma nova forma de "familia", uma nova forma de "propriedade e uma nova forma de "tradição". A imutabilidade do ser e da familia, da propriedade e da tradição é a proposta desesperada de negar a natureza humana, que é mutante e requer novas formas de "moral".
Entre uma mortal e outra o ser humano volta a se despir e, desperto, se recorda de sua alma. A esse despertar se referi o maguid de Mezeridz: "Um cavalo que se sabe cavalo não o é. Esse é o árduo trabalho do ser humano: aprender que não é um cavalo."
A alma se faz perceptivel no despertar e no horror. Em ambos os casos ele se volta para a reconstrução do passado. Para este, por sua vez, ela é sempre imoral e perigosa.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
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