"O homem é o único animal que ruboriza. Ou precisa fazê-lo" reflete Mark Twain.
Fica clara a correspondência direta entre a dor fisica e a culpa. Ambas me obrigam a prestar atenção em partes de minha vida que preferiria ignorar ou ocultar.
Os psicólogos usam a expressão "dissonância cognitiva" como um tipo de eufemismo para a culpa, um sintoma da batalha interna da pessoa que crê de uma maneira e age de outra. Por exemplo: um pastor sentirá intensa dissonância cognitiva se, em segredo, vivenciar uma paixão por uma discipula de sua igreja. Mesmo que a igreja de nada suspeita, ele não sentirá paz ou harmonia, e a mente tentará resolver essa contradição. O pastor pode perder a linha de raciocinio durante a pregação ou, digamos, deixar escapar o nome de sua paixão em hora imprópria.
`Por vezes , experimento dissonância cognitiva em meu casamento. Quando tento esconder algo de minha esposa, deixo escapar pistas, de mo totalmente inconsciente. Mesmo que tenha a melhor das intenções---por exemplo, planejar uma festa surpresa de aniversario---, vejo-me em dificuldade para enganá-la. E se fiz algo de errado e quero esconder dela, a dissonância cognitiva grita mais alto e transforma-se em culpa. Quando tento reprimi-la meu comportamento me trai, e ela sabe que algo está errado. No final das contas, a culpa incomoda-me tanto que tenho de dar o dificil passo de confessar a ela o que escondia.
Creio que uma culpa assim é essencial para um relacionamento maduro. "Amar significa jamais precisar pedir desculpas", afirmava Love Story, uma história de amor simplória da década de 1970. Não, é justamente o oposto: amar significa exatamente precisar pedir desculpas. A culpa merece minha gratidão, pois somente uma força assim tão poderosa pode empurrar-me a uma reconciliação com aqueles a quem prejudiquei.
A culpa faz-nos lembrar nossa posição, como seres morais responsáveis perante Deus. Ao reagir á culpa, o rei Davi enxergou além do prejuizo aos relacionamentos humanos e encarou seu rompimento com Deus. Como sua poesia deixa claro, Davi vigiava constantemente sua consciência, á procura de sinais de perigo em sua vida com Deus. Nosso comportamento, a forma pela qual tratamos os outros neste mundo, tem muito mais importância do que podemos ver.
Como tudo mais em nosso mundo caótico, a culpa esta sujeita a ser mal empregada.Em vez de servir de estimulo para que lidemos com o problema, ela se torna o problema. Os terapeutaas, não raro, trabalham com pessoas que têm obsessão nociva da culpa, confundindo falsa culpa com culpa verdadeira. A falsa culpa ocorre quando uma pessoa se pune por não corresponder aos padrões de outra pessoa---podem ser os pais, pode ser a igreja ou a sociedade. A verdadeira culpa ocorre quando uma pessoa não corresponde aos padrões de Deus.
Uma mística do ´seculo XIV, Dorothea de Monta, certa vez chorou durante horaas, após perceber que havia cometido o "pecado" de querer comer um pedaço de peixe temperado. Já Martinho Lutero, no inicio de sua vida de monge, desgastava seus confessores com horas de introspecção sobre pecados minúsculos e pensamentos perniciosos. "Meu filho, Deus não está zangado com você; é você que está zangado com Deus", disse, exasperado um dos confessores. Passado algum tempo, Lutero veio a admitir que seu medo de pecar demonstrava falta de fé.
sábado, 9 de agosto de 2008
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